Meritocracia nas empresas: trate diferente quem age diferente

Reter talentos e motivar funcionários é – ou deveria ser – o sonho de qualquer empresa, desde as menores até as gigantes multinacionais. Afinal, colaboradores motivados geram valor e trazem bons resultados para os negócios.

Mas, como motivar? Essa dúvida vem perseguindo empresários e empreendedores de todos os lugares, em especial em um cenário de crise como o atual. Existem algumas formas, mas certamente uma das mais eficientes ainda é a adoção do sistema meritocrático, ou seja, aquele que valoriza e reconhece os colaboradores que se destacam.

Na meritocracia, o topo fica reservado para os profissionais mais dedicados, realmente comprometidos e competentes. Assim, a empresa consegue atrair e reter os talentos e afugentar os “enroladores de plantão”. Como consequência, torna-se mais produtiva, eficiente e inovadora.

Convenhamos, poucas coisas são menos estimulantes do que um ambiente de trabalho em que acomodados, “rodas presas” e preguiçosos são tão considerados e premiados quanto aqueles que, independentemente das suas questões pessoais ou limitações individuais (todos as temos), operam com obstinação, empenho e elevado senso de responsabilidade.

É claro que são imprescindíveis algumas ações para tornar o sistema, de fato, eficaz. Primeiro, a organização deve ter metas claras, de preferência de curto, médio e longo prazos, e tanto individuais – para cada funcionário – como coletivas, estimulando o trabalho em equipe e evitando apenas a competitividade exacerbada. Se o funcionário sabe exatamente o que a empresa espera dele, fica mais fácil buscar a conquista.

Além disso, é muito importante implantar um sistema de avaliação de desempenho e feedbacks constantes para que os colaboradores saibam se estão no caminho certo ou onde estão errando.

Na Poit Energia, que fundei e após pouco mais de 10 anos vendi em uma operação de grande sucesso, todos os meses o nosso setor de Recursos Humanos solicitava a cada diretoria a lista “20 – 70 – 10”. Para quem não conhece, a metodologia foi criada por Jack Welch, guru da administração e considerado CEO do século, e representa a curva de vitalidade da empresa sobre a qual pode-se construir o processo de meritocracia. A “regrinha” simples é a seguinte: premiar os insubstituíveis (20% melhores); manter quem está na média (70%); e afastar os de pior desempenho (10%), que provavelmente também serão mais felizes em outra empresa ou função.

Com isto, mantivemos sempre um ambiente de seleção natural, investindo corretamente nos que “vestiam a camisa” e afastando nepotismo, troca de favores e a inércia. Tudo, é claro, com um sistema de avaliação e feedback, feitos com isonomia e transparência, baseados em metas e dando pouco espaço para critérios subjetivos.

Assim, formamos um grande, motivado e revitalizado time, que potencializava seus resultados ano a ano e que era reconhecido a cada nova conquista. O dia em que isto for possível também no setor público será uma revolução positiva na busca da mudança que procuramos.

 

Wilson Poit

  • Empreendedor na Prática
  • Empreendedor na Prática
  • Empreendedor na Prática

Comente